segunda-feira, 14 de agosto de 2017

REINO DA BAVIERA

Este reino foi dos primeiros a aliar-se a Napoleão, tendo sido um dos principais membros da Confederação do Reno. 
Apenas em 1813 se dissociaram. Mudando de campo, tentaram barrar, em Hanau, juntamente com forças austríacas, a retirada dos  franceses, após a derrota de Leipzig. 
Foram derrotados, mas continuaram a campanha (na França) juntamente com os outros exércitos aliados, até à primeira abdicação de Napoleão, em 1814. 


Infantaria de linha

Os uniformes da época são particulares e permitem facilmente identificar o exército da Baviera, devido ao Raupenhelm, o capacete que - com variações de pormenor - equipava todos os corpos do exército: infantes, artilheiros e cavaleiros.




As figuras são da HAT. O estandarte enrolado erguido por um dos soldados (2ª  foto) foi fabricado e pintado por mim.



Os granadeiros distinguiam-se dos fuzileiros pela sua pluma vermelha, no lado esquerdo do capacete.
Os regimentos bávaros não possuíam companhias ligeiras especiais, ao contrário da infantaria da França e de outros seus aliados, cuja organização dos batalhões era de 4 companhias do centro (fuzileiros), uma companhia de  atiradores (voltigeurs) e uma de granadeiros.


Batalhão de caçadores

Estas unidades ligeiras faziam parte das divisões de infantaria, mas não formavam regimentos, apenas batalhões designados pelo nome do seu comandante.



 As figuras são da infantaria bávara da HAT, apenas variando as cores aplicadas.

Regimentos de Chevau-léger

No início do período havia 2 regimentos de dragões, com uniforme branco como cor de fundo, além dos Chevau Léger. Porém,  foram convertidos em Chevau-léger, com uniformes de corte idêntico mas de cor de fundo verde escura. A cor regimental era variável durante o período retratado. Mais tarde, por volta de 1814/1815 adotaram todos os regimentos uma mesma  cor (vermelha) para os paramentos, colarinhos e punhos.




As figuras são todas da HAT, tendo apenas sido necessário usar uma trompete, em vez da espada, para os músicos. Note-se que estes têm um uniforme muito diferente do resto do regimento, como era comum na época.

Artilharia a pé e a cavalo

Vemos o típico transporte dos artilheiros num caixotão, dotado de assento, «tipo salsicha», junto com o trem de artilharia. Os condutores tinham uniformes cinzentos e distinções azul claras.
 A artilharia a cavalo tinha um uniforme azul escuro como a artilharia a pé, mas com botas de couro, em vez de polainas. 
Os modelos são da HAT, com modificações (cabeças de infantaria e corpos de condutores austríacos) para os condutores bávaros.





Estado Maior


Um general e dois oficiais do Estado Maior conversam. A guarda é feita por um granadeiro de infantaria, com a capota vestida. 
Os modelos dos oficiais são da Italieri modificados (Estado Maior Imperial), o granadeiro é feito com um corpo da guarda imperial AIRFIX e cabeça de granadeiro bávaro da HAT. 


domingo, 13 de agosto de 2017

O REINO DE NÁPOLES

O reino de Nápoles foi resultante da campanha vitoriosa de 1805 (Austerlitz), em que os franceses obtiveram vitórias sobre os exércitos das monarquias Austríaca e Russa. 
A península italiana, já nessa altura, tinha a Norte o Reino de Itália, cujo o monarca era Napoleão. O Vice-Rei do Reino de Itália era seu enteado, Eugène de Beauharnais. 
Quanto ao Sul, formou-se o reino de Nápoles, depois de expulso Ferdinando IV, da parte continental do Reino das Duas Sicílias. Este rei refugiou-se na Sicília (parte insular do reino), protegido pela frota inglesa. 
O Reino de Nápoles foi inicialmente dado ao irmão Joseph, mas quando este foi ocupar o trono de Espanha, coube ao cunhado, Joaquim Murat, marechal e chefe da cavalaria da Grande Armée.

Murat tentou, o melhor possível, organizar o reino e as forças armadas de modo a enfrentar dois perigos simultâneos: os Ingleses situados na Sicília, mas também as guerrilhas que opunham resistência aos invasores ou usurpadores. 
Apesar da fragilidade do Reino de Nápoles, houve contingentes napolitanos em várias campanhas, nomeadamente na Rússia (em 1812) e na Alemanha (1813). 
Após a derrota de Napoleão em 1813, Murat aproximou-se dos Aliados, julgando assim preservar seu reino. 
Quando Napoleão regressou da Ilha de Elba, Murat colocou-se de novo a seu lado e declarou guerra à Áustria, mas foi logo derrotado na batalha de Tolentino. 
Uma tentativa de recuperar o seu reino, mediante um desembarque na Calábria, fracassou. Foi feito prisioneiro e posteriormente executado.



Artilharia a Cavalo da Guarda

Os uniformes seguiam o modelo francês, mas usando a cor regimental amaranto, cor muito do agrado de Murat.  

           

Utilizei modelos Italieri (Artilharia a cavalo da guarda imperial) e da ESCI (Artilharia a pé) modificados. Para o trem, usei condutores de artilharia a cavalo austríaca da HAT. 


          





Cavalaria ligeira, lanceiros da guarda

Originariamente, eram o regimento de «Chevau-léger» de Berg. 
Murat foi Grão-Duque de Berg, antes de ascender, em 1808, a Rei de Nápoles. Conservou este regimento na sua guarda napolitana, conservando traços essenciais do uniforme anterior: o corte era ao estilo polaco, com czapka (chapéu) e kurtka (casaca) branca ou creme, com ornamentos amaranto.
                                 

                       

Foram aqui usados lanceiros polacos da ESCI. Usei também alguns cavalos ESCI de cavalaria inglesa, transformando a sela dos mesmos.


Cavalaria de Linha: Caçadores napolitanos


Estavam os caçadores a cavalo organizados e vestidos segundo o modelo francês. 
Usei os corpos de caçadores a cavalo do Wurtemberg, da HAT com cabeças de infantaria francesa da ESCI (com barretinas) e de hussardos AIRFIX (com colback, companhia de elite).

Artilharia de Linha a pé



O seu uniforme era quase idêntico ao dos artilheiros franceses. Usei modelos AIRFIX e o trem de artilharia da HAT.


Estado-maior (de Divisão) e Regimento de infanteria ligeira

No plano de fundo da foto abaixo, pode ver-se o Estado-Maior: cirurgião a cavalo, ajudante de campo e dois generais, sendo um desmontado e outro a cavalo, olhando pela luneta (figuras da Italieri e HAT).

Os soldados de infantaria são do regimento de infantaria ligeira, cuja cor de fundo é o azul claro. Como noutras unidades, o corte é tipicamente francês






Vélites da Guarda


Estes vélites granadeiros integravam a infantaria da Guarda Real: granadeiros, caçadores, vélites-granadeiros e vélites-caçadores. 

Utizei modelos ESCI da infantaria da guarda imperial (francesa), mas pintados com as cores dos uniformes de Nápoles.




sábado, 12 de agosto de 2017

GUARDA IMPERIAL DE NAPOLEÃO - I

Gendarmes a cavalo, da Guarda Imperial.

         

         

Os gendarmes d'élite da Guarda Imperial tinham várias tarefas especiais, como a guarda dos palácios e alojamentos onde estivesse o Imperador, a guarda de prisioneiros durante as batalhas, além de ter uma participação em cargas de cavalaria da Guarda Imperial a cavalo. 
Não eram vistos com simpatia pelos restantes corpos, provavelmente porque as suas funções os resguardavam - de alguma forma- de posições de combate mais arriscadas nas batalhas.
Usei os modelos da HAT, de Granadeiros a Cavalo da Guarda Imperial. Além das diferentes cores, usei um pouco de pasta de moldagem para fabricar palas, que o barrete de pele de urso dos granadeiros a cavalo não possui.


Artilharia a Cavalo, Guarda Imperial

        

A artilharia a cavalo tinha a possibilidade de se movimentar a um ritmo muito mais rápido do que a sua congénere a pé. A artilharia da Guarda imperial (a pé ou a cavalo) estava sempre «à mão» do Imperador, o qual começou a sua carreira militar nesta arma. 
Enquanto a artilharia a cavalo dos regimentos do contingente geral,  de «la Grande Armée», tinham abandonado o uniforme de tipo hussardo e adoptado um uniforme muito mais simplificado, semelhante ao dos Caçadores a Cavalo (embora em azul escuro, em vez do verde), a artilharia a cavalo da Guarda Imperial manteve até ao fim do período um uniforme que já vinha do Consulado. Em geral, os uniformes da «Vieille Garde» foram mantidos idênticos aos da «Garde Consulaire», desde o período de Bonaparte primeiro-cônsul.  
Utilizei modelos da Airfix (Hussardos britânicos) e da Italieri (Artilharia a Cavalo da Guarda Imperial). O estandarte foi confeccionado e pintado por mim. 


Estado-maior de divisão da Guarda Imperial

A organização dos diversos corpos da Guarda Imperial correspondia ao que Napoleão considerava ser o ideal para os exércitos em geral, mas que raras vezes podia chegar à perfeição, nos corpos da «Grande Armée». 
Para que cada unidade estivesse em condições de realizar as tarefas indispensáveis, quer em marcha, quer na batalha, havia um estado-maior, com auxiliares especializados como cartógrafos, cirurgiões, etc., além de ajudantes-de-campo, que apoiavam o comandante do corpo. Este possuia, no caso da guarda, o título de Marechal. 
Cada corpo era uma espécie de exército em miniatura, com infantaria, artilharia e cavalaria, capaz de realizar movimentos autónomos nas diversas campanhas e de se defender perante ataques, por vezes de forças superiores. 

    

No primeiro plano, vemos o trem de artilharia (Airfix + Zvezda). No segundo plano, o Estado Maior inclui um General (a observar por uma luneta), um ajudante-de-campo de divisão a montar, um ajudante de campo do quartel-general imperial montado e um soldado couraceiro, desmontado. Os primeiros três são  modelos da Zvezda  enquanto o 4º é da ESCI. 


Artilharia a pé da Guarda Imperial

Os artilheiros a pé vestiam um uniforme azul escuro que já vinha do período das guerras revolucionárias. O barrete de pele de urso era muito caro e de difícil conservação, pelo que as tropas de elite mais antigas a «Vieille Garde» apenas conservaram esta distinção, ao longo das guerras napoleónicas. 
As companhias de artilharia eram a unidade táctica mínima, consistindo em 6 canhões e 2 morteiros (Howitzer), em geral. Além das peças e dos seus serventes precisavam do trem a cavalo e caixotões de munições, também a cavalo. 

       

Cada companhia de artilharia (cerca de 128 homens) tinha de ser servida por um número de soldados do trem equivalente a meia-companhia (~ 64 homens): O número de condutores do trem era, em média, de oito por peça de artilharia (isto podia variar consoante o calibre), incluindo os caixotões de munições. 

      

Os modelos usados são ESCI, tendo também transformado dois modelos para figurarem como soldados do trem de artilharia da Guarda. 

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

APRESENTAÇÃO

Nas imagens que vou colocar a partir de  hoje, 10-08-2017, neste blog, podem ver modelos de soldados com uniformes de regimentos da época napoleónica que fui pintando, moldando e transformando ao longo de mais de um quarto de século. 

Utilizei apenas modelos da escala 1/72 (ou seja, as figurinas correspondem a um tamanho 72 vezes mais pequeno do que o tamanho natural) e figuras em plástico, comercialmente disponíveis em caixas, feitas em série. Como estas figurinas correspondiam a um assortimento limitado de uniformes por cada nação combatente, na era napoleónica, tive de modificar vários items. As modificações podem incidir apenas na cor do uniforme, mas também podem corresponder a uma mudança esculpida, com eliminação ou acrescento de um detalhe, ou até troca de cabeça, caso se pretenda que a figura se apresente com um capacete ou barretina diferentes dos de fábrica. 

Em muitos casos, tive de consultar livros e publicações periódicas especializadas em uniformologia. Com o passar do tempo, o número de marcas que fabricavam soldados napoleónicos foi aumentando e naturalmente diversificando a oferta pois, não apenas surgiram novas poses para modelos de regimentos pré-existentes, como novos regimentos, com maior ou menor rigor no aspecto da sua uniformologia.

 Um sítio muito útil para se avaliar os diversos modelos disponíveis no mercado é o «plastic soldier review», que cobre toda a produção deste tipo de modelos, em plástico, não apenas para o período que me interessa, como para todos os restantes períodos históricos. Neste site pode-se encontrar links para as diversas marcas com produção neste tipo de modelos e as novidades que vão surgindo. 

Existem muitos blogs e sites especializados em uniformes da época napoleónica, não sendo fácil fazer uma selecção criteriosa, para orientar o leitor interessado em aprofundar o assunto. Penso, no entanto, que se deve mencionar a copiosa colecção de aguarelas efectuada por Knoettel, correspondente a um enorme trabalho de pesquisa directa de fontes, assim como um extenso catálogo de Lienhart-Humbert compilando uniformes do exército francês, que recobre o período napoleónico, além de épocas anteriores e posteriores.

Os uniformes variam muitíssimo dentro do período, que vai de 1800 a 1815, mais ou menos. O aspecto dos exércitos modificou-se realmente, de tal maneira que não se pode, com rigor, misturar soldados da época final do período, com aqueles que têm uniformes característicos do seu início, na maior parte dos casos. 

Escolhi reproduzir as versões de uniformes que correspondem ao período final, 1812-1815, pois a quantidade de informação sobre uniformes dessa época é maior e, em geral, a iconografia mais abundante. Além disso, historicamente, corresponde a um período em que todos os grandes Estados e muitos dos pequenos estiveram envolvidos em campanhas e batalhas.